Cap 1 (parte 1) - Festa de aniversário.

Estou sentado no sofá da casa de minha tia Lourdes. Uma velha gorda, que cobra por aluguel até o ar que respiramos. O termo mão de vaca, foi criado no dia 17 de Setembro de sei lá qual ano. Bem, a data exata é quando aquela mulher falou a primeira palavra. Ela vestia um lindo pijama de vaca, e segurava o seu mais valioso tesouro: Uma prata de 1 cruzado. Minha avó chegou para ela, pedindo a moeda, e a linda vaquinha a encarou, com fogo nos olhos e raiva estampada na face. Ela apenas disse:

- Não.

Eu sei, pareço mal. Pareço cruel. Não, apenas sou sincero. Na verdade minha avó quem fala aquilo. Minha avó, a única pessoa no mundo que acho que nunca desejei que morresse. A não ser quando eu brigava com ela por motivos fúteis. Apesar disso, a amo. Sim, eu amo apenas ela, se posteriormente disser que não amo ninguém, é porque eu me esqueço desse anjo. Bem, falando no demônio...

- AUGUSTO! VEM AQUI AGORA AJUDAR NA COMIDA! – Minha tia me encarou, os olhos castanhos e as bochechas exorbitantes. – A gente faz a sua festa na maior compaixão, gastamos tanto dinheiro para te dar do bom e do melhor, e mesmo assim você não colabora nem com um agradecimento! Você é um garoto desprezível. – Viram? Amor sabe. Sangue do próprio sangue e essas coisas.

- Eu não pedi porra de festa nenhuma! – Senti os raio lazers embutidos naqueles olhos dilacerarem minhas pupilas.

- Então porque estamos fazendo essas coisas? – Eu suspirei, acabaria gerando confusões. – MARCOS! – Ela entrou dentro da cozinha. As falas seguidas variavam de “EU GASTANDO UMA FORTUNA” para “ELE É MEU FILHO E ELE MERECE UMA FESTA!”. Nada de importante.

Continuei em meus pensamentos, como o de como matar a cachorrinha sabe se lá de qual raça da minha prima. Aquele demônio, que apenas sabia latir, latir e latir. A não ser de noite, quando estão todos dormindo, pois nesse momento ela late. Ela possuía um pelo branco, e me encarava de longe. Eu estava sentado no sofá, olhando para a tela desligada da TV (“AUGUSTO! Desliga essa televisão, conta de luz anda muito cara e eu não tenho dinheiro sobrando!”). Os olhos da cachorrinha variavam de meu tórax até o dedo do meu pé. Ela procurava algum lugar para morder, certamente. Eu olhei para o lado e uma vassoura estava esquecida ali. Eu a peguei e então a praga começou a rosnar.

- Vem queridinha! Vamos brincar de pegar a vareta? Ou o pau, nesse caso. – Antes ela mordendo o pau da vassoura do que o meu pau. Se fosse outra espécie de cachorra, quem sabe... A merdinha começou então a correr na minha direção, dentes a mostra e rosnados cada vez mais alto. Eu posicionei a vassoura como um taco de golfe. Quando ela se aproximou o bastante...

- AUGUSTO! – Eu soltei a vassoura. Olhei para trás, minha prima me encarava. Ela era alguns anos mais velha que eu. 10, pra ser mais exato. Ela era praticamente bonita, tinha um relacionamento estável com um cara que pelo que todos percebemos, jamais iria se casar por possuir medo de ela se separar em seguida e roubar todo o seu precioso patrimônio. Ela era praticamente rica, e apenas ia para a casa de sua querida vaquinha, digo, mãe, em datas especiais e quando ela não estava lá. No resto do tempo ela se bancava a prostituta para o seu eterno “noivo”. – O que você ia fazer? – Eu a encarei.

- Nada, porque?

- Parecia que você ia... – Ela me olhou analisando. Parou a frase no meio e então chamou sua cachorrinha. O rabinho branco foi rebolando de um lado para o outro. Eu imaginei o cabo da vassoura ali.

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